Os malefícios do devaneio excessivo
Caros leitores,
Com o acesso a internet, nós nos deparamos com desconhecidos o tempo todo, nos comunicamos e trocamos vivências. É algo comum para todos nós vermos um post sobre sentimentos ou acontecimentos cotidianos e pensar “literalmente eu” (literalmente ninguém da nossa geração usa o termo “literalmente” de modo correto). Recentemente o algoritmo vêm me enviando diversos posts bobos sobre o hábito de imaginar cenários, seja antes de dormir, tomando banho ou em qualquer outra ocasião.
Ao ver a quantidade de posts e comentários dos quais eu mesma me identificava, me interessei sobre o assunto e fui pesquisar. O nome dado ao problema é Maladaptive Daydreming e ele destrói vidas. A maioria das pessoas desenvolve esse hábito ainda na infância, em alguns casos a condição pode se apresentar após um trauma. No início são apenas cenários, a imaginação fértil agindo. É um processo lento, você começa a se distrair fácil demais, perde todo o foco e atenção simplesmente pois estava pensando em algo que nunca aconteceu. Você imagina outro mundo, outra realidade. Nas aulas, nos trajetos, antes de dormir, nas refeições. Qualquer momento. É muito comum para pessoas diagnosticadas com depressão, TOC e transtorno bipolar sofrerem também com os devaneios excessivos.
Meu substack recebeu o nome de The delusional thoughts of an overthinker justamente pelo meu terrível hábito de sonhar acordada vinte e quatro horas por dia.
Comigo, esse problema começou quando eu era bem nova, eu era uma criança solitária, não tinha muitas crianças para brincar por perto. Era apenas eu, e as vezes, era reconfortante imaginar não ser tão solitária. Viver uma outra realidade, ser outra pessoa. Foi um hábito que se desenvolveu de modo tão sútil, eu nunca percebi que era um problema que me afetava academicamente e mentalmente. Quando eu contei isso a minha psicóloga, percebi o quão problemático era. Eu vivi tão intensamente na minha imaginação que esqueci de viver minha vida real. Era apenas mais um jeito de evitar lidar com os meus verdadeiros problemas, mais uma tática de autossabotagem para evitar conflitos e finalmente melhorar.
Eu romantizava isso usando o famoso termo “delulu” para fingir que estava tudo bem. Afinal, se existem tantas pessoas da minha idade passando pela mesma coisa que eu, é porque é algo normal, não? Mas não é normal. Hoje, depois de muita ajuda psicológica eu finalmente entendi a complexidade do problema e estou trabalhando nisso.
Se você se identificou com essa newsletter eu recomendo fortemente que procure ajuda. Enfrente seus problemas. Você merece viver em paz consigo mesmo (a).



eu tbm sou uma overthinker e extreme delusional amei seu texto lakakak
percebi que talvez eu esteja pensando demais em coisas irreais e esquecendo do meu presente. obrigada por me fazer enxergar isso. 💗